É na intensidade do distúrbio emocional que consiste o valor, isto é, a energia que o indivíduo deveria ter a seu dispor, para sanar o seu estado de adaptação reduzida. Nada conseguimos, reprimindo este estado de depressão ou depreciando-o racionalmente.
O estado afetivo inicial é tomado, portanto, como ponto de partida do procedimento da imaginação ativa, a fim de que se possa fazer uso da energia que se acha no lugar errado. O indivíduo torna-se consciente do estado de ânimo em que se encontra, nele mergulhado sem reservas e registrando por escrito todas as fantasias e demais associações que lhe ocorrerem.
Deve permitir que a fantasia se expanda o mais livremente possível, mas não a tal ponto que fuja da órbita do objeto, isto é, o afeto. É desta preocupação com o afeto que provém uma expressão mais ou menos completa do estado de ânimo que reproduz, de maneira um tanto quanto concreta e simbólica, o conteúdo da depressão.
Como a depressão não é produzida pela consciência, mas constitui uma intromissão indesejada do inconsciente, a expressão elaborada do estado de ânimo é como uma imagem dos conteúdos e das tendências do inconsciente que se congregaram na depressão.
A imaginação ativa é uma forma de enriquecimento e ilustração do afeto e é por isso que o afeto se aproxima, com seus conteúdos, da consciência, tornando-se, ao mesmo tempo, mais perceptível e, consequentemente, também mais inteligível. O afeto, anteriormente não relacionado, converte-se agora em uma ideia mais ou menos clara e articulada graças precisamente ao apoio e a cooperação da consciência . Isto representa um começo da função transcendente, da colaboração de fatores inconsciente e conscientes.
Por função transcendente não se deve entender algo de misterioso, suprassensível ou metafísico, mas uma função que, por sua natureza, pode-se comparar com uma função matemática de números reais e imaginários. A função psicológica e “transcendente” resulta da união dos conteúdos conscientes e inconscientes.
A experiência da psicologia analítica mostra que o consciente e o inconsciente raramente estão de acordo no que se refere a seus conteúdos e tendências. Esta falta de paralelismo, não é meramente acidental ou sem propósito, mas se deve ao fato de que o inconsciente se comporta de maneira compensatória ou complementar em relação à consciência. A reunião de alguns fatos explica facilmente a razão desta relação.
A natureza determinada e dirigida dos conteúdos da consciência é uma qualidade que só foi adquirida relativamente tarde na história da humanidade e é uma aquisição extremamente importante que custou à humanidade os mais pesados sacrifícios, mas que, por seu lado, prestou o mais alto serviço à humanidade.
As fases típicas do processo analítico
Jung descreveu certas fases típicas do processo analítico. Ele distinguiu quatro estágios característicos: confissão , elucidação, educação e transformação. O primeiro passo ou estágio, a confissão, tem como protótipo as práticas confessionais de quase todas as religiões. Isso significa que o paciente toma consciência de tudo o que está oculto, reprimido, carregado de culpa, de tudo o que o isola do convívio com seus semelhantes e o confessa ao médico. Os conteúdos reprimidos podem consistir em pensamentos, desejos, emoções e afetos.
Esse primeiro estágio de catarse (purificação) serve para trazer à consciência a sombra, isto é, os aspectos sombrios inferiores da personalidade. A cura, contudo, nem sempre começa nesse estágio. Em muitos casos, o paciente regride, depois da confissão, a uma dependência infantil do médico ou do próprio inconsciente.
Essa dependência (transferência) tem sua fonte, na maioria dos casos, em fantasias inconscientes. Não são material reprimido, essas fantasias são conteúdos que jamais se tornaram conscientes, ou seja, não são capazes - ou ainda não - de aflorar à consciência. Para tornar conscientes esses conteúdos, Jung usava o método da interpretação dos sonhos. Trata-se do estágio da elucidação.
Uma vez assimilados esses conteúdos na consciência, a tarefa seguinte é a educação ou de autoeducação como ser social. Com essa educação, pode parecer que todo o necessário na jornada psicoterapêuta foi alcançado, não fosse o fato de essa “normalidade”, embora seja de fato uma solução para algumas pessoas, ser também, para outras, uma prisão.
Entre os polos consciência do ego e inconsciente e entre os polos matéria e espírito há uma carga de energia que leva a processos energéticos ou a um fluxo de energia psíquica. Jung considerava a vida psíquica como um processo energético, contudo ele não considerava essa energia como libido psicossexual, mas como algo em si mesmo inteiramente indefinido quanto ao conteúdo.
Somente no campo da experiência real ela aparece como poder, impulso, desejo, vontade, afeto, realização no trabalho, etc. No momento, a energia psíquica não pode ser medida em termos quantitativos. Entretanto, a intensidade de determinados pensamentos ou emoções pode ser estimada por meio da função sentimento. A qualidade de um afeto pode ser sentida com clareza.
A energia psíquica movimenta-se num padrão polar, por um lado, entre a extroversão e a introversão, e , por outro, entre pulsações regressivas e progressivas. Pulsação progressiva é um movimento vital que se dá para a frente, (para dentro e para fora), no sentido de um desenvolvimento adicional, ao passo que a regressiva é um recuo temporário para formas de vida anteriores, com o fim de trazer à tona valores abandonados no passado e incorporá-los à situação psíquica presente, ou de reunir condições para dispor de energia para novos empreendimentos.
Em sua essência, a energia psíquica se expressa em qualidade. Trata-se de um fator qualitativo, sendo esse o motivo pelo qual Jung afirma que só podemos medir a intensidade psicológica pela função sentimento.
A linguagem e as “pessoas” do inconsciente são os símbolos, e os meios de comunicação com este mundo são os sonhos.
Os símbolos são a manifestação dos arquétipos. É a forma como a mente consciente percebe, por meio de imagem, a energia dinâmica arquetípica. Exemplo de um símbolo é a imagem da cruz.
O mecanismo psicológico que transforma a energia arquetípica é o símbolo. A transformação da energia por meio do símbolo é um processo que vem se realizando desde os inícios da humanidade, e ainda continua.
Os homens do passado não pensavam nos seus símbolos. Viviam-nos, e eram inconscientemente estimulados pelo seu significado. Os símbolos têm vida. Atuam. Alcançam dimensões que o conhecimento racional não pode atingir. Transmitem intuições altamente estimulantes, prenunciadores de fenômenos ainda desconhecidos.
A visão simbólica faz pontes, sem o símbolo não se pode comunicar com o “eu” mais profundo. Por meio dos símbolos consciente e inconsciente se aproximam. No processo de individuação, a interpretação dos símbolos exerce um papel prático de muita importância, pois os símbolos representam tentativas naturais na reconciliação e união dos elementos antagônicos da psique.
Os símbolos apontam direções diferentes daquelas que percebemos com nossa mente consciente; e, portanto, relacionam-se com coisas inconscientes, ou apenas parcialmente conscientes. O símbolo, na concepção junguiana, é uma linguagem universal infinitamente rica, capaz de exprimir por meio de imagens muitas coisas que transcendem as problemáticas específicas dos indivíduos.
A ideia de Jung sobre o autoconhecimento, não significa ruminar de maneira subjetiva acerca de nosso ego: “Eu sou assim e assim”. Isso pode até ser útil, mas não é o que entendemos por autoconhecimento, que significa incorporar as informações que obtemos a partir dos sonhos. Em outras palavras, se alguém quer conhecer a si mesmo, em nosso sentido da palavra, tem de aceitar a imagem que o sonho fornece a respeito dele.
Se você sonha que se comporta como um tolo, embora subjetivamente se sinta razoável, deve tomar isso na mais séria consideração, pois, de acordo com o inconsciente, ou de acordo com a luz que o arquétipo do Self derrama sobre o seu comportamento consciente, você está se comportando como um tolo. Este é um elemento de informação objetiva obtida a partir de um sonho, quer você goste ou não, e frequentemente não se gosta do que se sonha. “A natureza nunca é diplomática.” disse Jung certa vez sobre os sonhos.
Esse é o tipo de informação que provém da psique objetiva dentro de nós, e que pensamos ser útil e aconselhável aceitar. Na luz dos nossos sonhos é possível, portanto, reconhecer a si mesmo de maneira diferente da opinião que o ego tem sobre si mesmo, pois ele fornece informações adicionais, que não têm origem no próprio ego.
A maioria dos sonhos é dotada de uma estrutura dinâmica que merece atenção. Frequentemente dizemos ou pensamos, "foi só um sonho" e descartamos como algo sem importância. No entanto o sonho é uma espécie de carta enviada pelo nosso self, o nosso si-mesmo é o poeta secreto e diretor do sonho, contudo a linguagem usada frequentemente nos sonhos são os símbolos, a linguagem simbólica que foi há muito esquecida, por isso a importância de se estudar símbolos e mitos.
Em termos coloquiais a palavra espírito é usada como algo no gênero de uma substância não material ou o oposto de matéria. Em geral, também usamos a palavra espírito para indicar algo que é um princípio cósmico, mas empregamos a mesma palavra quando nos referimos a certas capacidades ou atividades psíquicas psicológicas do homem, como o intelecto ou a capacidade de pensar ou de raciocinar.
Jung define espírito, do ponto de vista psicológico, como o aspecto dinâmico do inconsciente que produz padrões simbólicos interiores na psique.
O inconsciente tem um aspecto de matriz, de ventre materno, algo semelhante à um lago passivo, onde as coisas que esquecemos caem nesse lago; mas também possui um aspecto dinâmico, de movimento, age espontaneamente, por sua livre vontade - por exemplo, compõe sonhos. Poderíamos dizer que a composição de sonhos enquanto dormimos é um aspecto do espírito, algum espírito superior compõe uma série sumamente engenhosa de imagens que, se pudermos decifrá-la, parecem transmitir uma mensagem bastante inteligente. (FRANZ, Marie-Louise Von. Adivinhação e Sincronicidade. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022.)
Esta é uma manifestação dinâmica do inconsciente, em que ele faz energicamente algo por sua própria vontade, movimenta-se e cria por sua própria conta, e foi isso o que Jung definiu como espírito. Isso seria o espírito, aquela coisa desconhecida no inconsciente que recompõe e manipula as imagens interiores.
Sincronicidade foi o termo criado por Jung, que exprime uma coincidência significativa ou uma correspondência que pode ocorrer de duas formas:
Ambas formas parecem ter relação com processos arquetípicos do inconsciente. Jung também sublinha que a sincronicidade parece depender em considerável medida da presença de afetividade, ou seja, sensibilidade e estímulos emocionais.
“Escolhi o termo sincronicidade porque a aparição simultânea de dois acontecimentos ligados pela significação, mas sem relação causal, me pareceu um critério decisivo. Emprego, pois, aqui o conceito geral de sincronicidade no sentido especial de coincidência, no tempo, de dois ou vários elementos, sem relação causal e que tem o mesmo conteúdo significativo ou um sentido similar. Isto não é o mesmo que sincronismo cujo significado é apenas o da aparição simultânea de dois fenômenos.”(JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos, Reflexões. 35.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.)
Unus mundus, literalmente um mundo, ou um só mundo, é um termo que se refere ao conceito de uma realidade subjacente unificada a partir da qual tudo emerge e para a qual tudo retorna.
Em seu estudo sobre a sincronicidade, Jung enfatiza que, como os domínios físico e psíquico coincidem dentro do evento sincronístico, deve haver em algum lugar, ou de algum modo, uma realidade unitária - uma realidade dos domínios físico e psíquico, para a qual ele usou a expressão latina unus mundus, o mundo uno, conceito que já existia na mente de alguns filósofos medievais.
Esse mundo, diz Jung, não pode ser visualizado por nós e transcende, por completo, a nossa apreensão consciente. Só podemos concluir ou pressupor a existência em algum lugar de tal realidade, uma realidade psicofísica, como poderíamos chamá-la, que se manifesta esporadicamente no evento sincronístico. (FRANZ, Marie-Louise Von. Adivinhação e Sincronicidade. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022.)
A ideia de um unus mundus é uma variação do conceito de inconsciente coletivo. A princípio, todos os arquétipos estão contaminados, e assim o "unus mundus" é uma multiplicidade unificada, uma separatividade das partes e ao mesmo tempo uma unicidade.
Concretamente, o unus mundus se manifesta, como assinalou Jung, nos fenômenos sincronísticos. Vivemos normalmente num mundo dualista de eventos “externos” e “internos” , ao passo que num evento sincronístico essa dualidade não existe; eventos externos comportam-se como se fossem uma parte de nossa psique, de tal modo que tudo está contido na mesma totalidade.
Pode-se representar a psique como um vasto oceano (inconsciente) no qual emerge uma pequena ilha, o consciente. Em outras palavras, consciência é o que conhecemos e inconsciente é tudo aquilo que ignoramos.
A consciência é, muito simplesmente, o estado de conhecimento e entendimento de eventos externos e internos. É o estar desperto e atento, observando e registrando o que acontece no mundo em torno e dentro de cada um de nós.
O inconsciente inclui todos os conteúdos psíquicos que se encontram fora da consciência, por qualquer razão ou qualquer duração. A psique engloba o consciente e o inconsciente.
Os conteúdos do inconsciente são constituídos por memórias recalcadas e por “material”, como pensamentos, imagens e emoções, que nunca foram conscientes ou só parcialmente conscientes. O mais apaixonado interesse de Carl Gustav Jung (psiquiatra e psicoterapeuta suíço, fundador da psicologia analítica) estava na exploração desse território.
“Teoricamente é impossível fixar limites no campo da consciência, uma vez que ela pode estender-se indefinidamente. Na prática, porém, ela sempre atinge seus limites ao atingir o desconhecido. O desconhecido é constituído por tudo aquilo que ignoramos”. (JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos, Reflexões. 35.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.)
O conflito, representado pelo símbolo da cruz, não pode ser contornado, nem o sofrimento evitado. Ao falar isso, Jung gostava de citar Tomás de Kempis em sua afirmação de que o sofrimento é o cavalo que nos leva com mais rapidez à plenitude.
Sofrer significa passar por determinadas situações desconfortáveis, é impossível viver sem passar por incômodos. Frequentemente queremos que alguém nos diga o que estamos sentindo e o que precisamos fazer para “parar de sentir” o mal-estar emocional, a aflição, o desânimo. No entanto, o que a vida pode estar nos pedindo muitas vezes é a disposição comportamental para passar pelo desconforto momentâneo do caminho.
Talvez o mais importante não seja bloquear o sintoma, mas compreender o seu significado. Jung diz que os sintomas são oráculos, querem nos mostrar algo, querem nos “dizer” alguma coisa. O que significa que nem sempre as respostas serão encontradas na busca da causa, mas muito mais em se perguntar qual é o objetivo disso. Tudo tem causa e consequência, tudo tem um porquê, mas, além disso, existe um “para quê”.
Sabemos, por experiência própria, que os nossos sofrimentos neuróticos derivam do fato de estarmos confusos com nós mesmos e com os nossos próprios complexos; se formos sinceros o bastante, para ver a verdade, até o pior complexo ficará mais tolerável, pois então veremos o significado e poderemos nos livrar um pouco da situação confusa. (FRANZ, Marie-Louise Von. Adivinhação e Sincronicidade. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022.)
Ao conteúdo inconsciente responsável pelas perturbações da consciência deu Jung o nome de “complexos”.
Os complexos são temas emocionais reprimidos e que são os motivadores de diversos comportamentos psicológicos. São, sobretudo, produtos de experiência - traumas, interações e padrões familiares, condicionamento cultural. São portanto o que permanece na psique depois que ela digeriu a experiência.
Os complexos são estruturas psíquicas agrupadas no inconsciente pessoal, que são estimuladas por interações com as outras pessoas. Onde começa a esfera dos complexos, a liberdade do ego (consciência) chega ao fim, pois complexos são funções psíquicas cuja natureza mais profunda ainda é incompreensível.
Com frequência ouvimos dizer por exemplo: “ele tem complexo de superioridade” ou “ela tem um complexo de inferioridade”, e assim por diante. Mas, há algo de incorreto nessas expressões.
A verdade é que não somos nós que temos o complexo, o complexo é que nos tem, que nos possui. O complexo interfere na vida consciente, leva-nos a cometer lapsos e gafes, perturba a memória, envolve-nos em situações contraditórias, arquiteta sonhos e sintomas neuróticos.
Os complexos são agrupamentos de conteúdos psíquicos carregados de afetividade. Compõem-se de intensa carga afetiva, capazes de existência autônoma, uma vez que o indivíduo não possui controle, por não estar nem mesmo consciente deste processo que se desenrola na sua psique.
O conhecimento absoluto do inconsciente pode ser percebido pelos sonhos, nas experiências oníricas podemos constatar que o inconsciente sabe coisas; conhece o passado e o futuro. Jung chamou esse conhecimento inconsciente de conhecimento absoluto.
Um médium é uma pessoa que tem um relacionamento mais estreito - diríamos, um dom - por meio do qual se relaciona com o conhecimento absoluto do inconsciente e que, de um modo geral, tem um nível relativamente baixo de consciência. O conhecimento absoluto é como a luz de uma vela e, se a luz elétrica da consciência do ego estiver acesa, não podemos ver a tênue chama da vela.
Nos fenômenos de sincronicidade, surgem no campo de visão interior imagens que se relacionam analogicamente, isto é, do ponto de vista do significado, com eventos exteriores objetivos, mesmo quando não é possível demonstrar uma relação causal entre as duas classes de eventos. Isso pressupõe um significado a priori na própria natureza, que existe antes da consciência humana, um fator formal da natureza a que não se pode dar uma explicação causal, mas que, pelo contrário, é anterior a toda tentativa de explicação por parte da consciência humana. Esse fator formal de sentido recebeu de Jung o nome de “conhecimento absoluto”. Absoluto porque independe de nosso conhecimento consciente. É como se algo, em algum lugar, fosse “conhecido” sob a forma de imagens - mas não por nós. (FRANZ, Marie-Louise Von. C.G.Jung Seu Mito em nossa época. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2025.)
Segundo Jung, o inconsciente é o grande guia, o amigo e conselheiro do consciente e a comunicação entre eles, acontece sobretudo por meio dos sonhos. O inconsciente individual de quem sonha está em comunicação apenas com o sonhador e seleciona símbolos para seu propósito, com um sentido que diz respeito apenas ao sonhador.
Mediante o sonho penetramos no ser humano mais profundo, mais geral, mais verdadeiro, mais durável, mergulhado ainda na penumbra da noite original, quando ainda estava no Todo e o Todo nele, no seio da natureza indiferenciada e despersonalizada. O sonho provém das profundezas, onde o universo ainda está unificado, quer assuma as aparências mais pueris, quer as mais grotescas, quer as mais imorais. (JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos, Reflexões. 35.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.
Uma história narrada pelo consciente tem início, meio e fim; o mesmo não acontece no sonho. Suas dimensões de espaço e tempo são diferentes. Para entendê-lo é necessário examiná-lo sob todos os seus aspectos - exatamente como quando tomamos um objeto desconhecido nas mãos e o viramos e reviramos até nos familiarizarmos com cada detalhe.
É fácil compreender por que quem sonha tem tendência a ignorar e até rejeitar a mensagem do seu sonho. A consciência resiste, naturalmente, a tudo que é inconsciente e desconhecido. É necessário aceitarmos que o sonho é uma expressão específica do inconsciente.
Arquétipo é antes de tudo, unicamente uma virtualidade, uma existência potencial, uma possibilidade de preformação.
Arquétipos são combinações de padrões e forças universalmente predominantes que “habitam” o inconsciente coletivo. São formas preexistentes e inconscientes que parecem fazer parte da estrutura psíquica herdada e pode, portanto, manifestar-se espontaneamente sempre e por toda parte.
“O homem “possui” muitas coisas que ele não adquiriu, mas herdou dos antepassados. Não nasceu tabula rasa, apenas nasceu inconsciente. Traz consigo sistemas organizados e que estão prontos a funcionar numa forma especificamente humana; e isto se deve a milhões de anos de desenvolvimento humano.
Da mesma forma como os instintos dos pássaros de migração e construção de ninho nunca foram aprendidos ou adquiridos individualmente, também o homem traz de berço o plano básico de sua natureza, não apenas de sua natureza individual, mas de sua natureza coletiva.
Que outros “eus” nos habitam e não conhecemos?
Quando nos apaixonamos por outra pessoa, essa pessoa representa uma parte nossa que não conhecemos.
Somos seres inteiros vivendo uma experiência parcial. Precisamos voltar para a unicidade, voltar a ser um. A nossa outra metade está dentro de nós, mas paradoxalmente, precisamos do outro para nos mostrar.
A Anima e animus são arquétipos auxiliares que servem como intermediários, interfaces no caminho da individuação. São ferramentas ou pontes para o inconsciente.
Anima significa alma em latim, e animus significa “espírito”.
No entanto, Jung não está aludindo ao significado religioso de alma quando usa o termo anima. Ele traz o termo para a psicologia para significar o lado interno escondido da personalidade de um homem. Da mesma forma, Jung não se refere com o termo animus a algo metafísico e transcendente, mas antes, ao lado interno oculto da personalidade de uma mulher.
Jung diz que os homens são masculinos no exterior e femininos no interior, e que as mulheres são o inverso.
Só é possível encontrar o nosso equilíbrio encontrando o nosso centro e só é possível chegar ao nosso centro (Self) se nos dispomos a nos conhecer mais profundamente, ou seja, conhecer o nosso inconsciente.
“Mas a experiência do inconsciente tem um efeito de isolamento, e há muitas pessoas que não podem suportá-lo. No entanto, estar a sós com o Self é a experiência humana mais elevada e decisiva, visto que “deve-se estar sozinho, se se pretende descobrir o que sustenta a pessoa quando ela já não pode sustentar-se. Somente essa experiência pode dar-lhe um fundamento indestrutível.” (FRANZ, Marie-Louise Von. C.G.Jung Seu Mito em nossa época. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2025)
O processo de individuação que é o “caminho” para se chegar ao nosso centro, self, tem por essência a união dos contrários em nós.
“É um processo de crescimento que se instala quando tomamos consciência da tensão entre os opostos em nossa própria integridade interior e que “deseja” nos obrigar a harmonizar e unir as forças opositoras do inconsciente a que nossa mente consciente se acha exposta com tanta constância.”
É o arquétipo central da ordem, da totalidade do homem, representado simbolicamente pelo círculo, pelo quadrado, pelo quatérnio, pela criança, pela mandala... O si mesmo é o centro e também a circunferência completa que compreende ao mesmo tempo o consciente e o inconsciente. A denominação de self não cabe unicamente a esse centro profundo, mas também à totalidade da psique.
Ao decorrer dos tempos, os homens, por intuição, estiveram sempre conscientes desse centro. Os gregos o chamavam de daimon, o interior do homem; no Egito ele estava expresso no conceito de alma- Ba; e os romanos adoravam-no como o “gênio” inato em cada indivíduo. Em sociedades mais primitivas imaginavam-no muitas vezes como um espírito protetor, encarnado em um animal ou fetiche.
Toda realidade psíquica interior de cada indivíduo é orientada, em última instância, em direção a este símbolo arquetípico do self. O si mesmo é o centro magnético do universo psicológico de Jung. Sua presença atrai a agulha da bússola do ego para o norte verdadeiro.
Parece que na vida nos deparamos com muito mais perguntas do que respostas. Talvez porque a vida seja um mistério a ser revelado aos poucos e nunca totalmente revelado, apenas parcialmente. O mistério sempre precisa existir, se não, não haverá o que ser descoberto, procurado, encontrado… A vida é nesse sentido, uma jornada de descobertas, investigação, procura…e o que tanto buscamos? Penso que no fundo estamos à procura de uma parte de nós mesmos, uma parte desconhecida.
A expressão “apenas psicológico” implica que a psicologia seja “apenas” aquilo que o homem sabe de si mesmo… enquanto para Jung a psicologia significa, primeiro e principalmente, uma investigação empírica da parte desconhecida da psique, que se manifesta nos sonhos, nos lapsos de linguagem, nas fantasias involuntárias, nas súbitas convicções vindas do nada. Essas ocorrências vêm de uma psique objetiva para a qual não podemos fixar limites e à qual jamais podemos nos referir legitimamente como “meu” inconsciente. “Não se pode chegar aos limites da alma caminhando; mesmo que se percorrem às pressas todas as ruas, seu sentido é por demais profundo.”
Reconhecer e admitir nossa sombra não é tarefa fácil ou confortável. Mas devemos encarar o fato de que somos seres duais, ambivalentes, carregamos o bem e o mal dentro de nós. Não somos feitos só de luz, até porque onde há luz, inevitavelmente há sombra. Mesmo nas coisas mais luminosas há sombra, mesmo nas coisas mais horrendas há luz.
“Precisamos muito mais de uma ampliação da nossa consciência reflexiva, para que possamos ter uma percepção mais clara das forças em oposição que há dentro de nós e para que deixemos de tentar afastar o mal do caminho, ou de negá-lo ou projetá-lo, o que temos feito até agora. Em palavras ainda mais simples, isso significa que devemos de fato ver a nossa sombra, em vez de vivê-la inconscientemente na prática.” (FRANZ, Marie-Louise Von. C.G.Jung Seu Mito em nossa época. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2025)
As duas partes da personalidade, o ego (o centro da consciência) e o centro do inconsciente (o Self), parecem possuir uma estrutura semelhante a imagem especular, espelhada.
“A persona é o sistema de adaptação ou a maneira pela qual se dá a comunicação com o mundo. Cada estado ou cada profissão, por exemplo, possui uma persona característica... O perigo está, no entanto, na identificação com a persona… Pode-se dizer, sem exagero, que a persona é aquilo que não é verdadeiramente, mas o que nós mesmos e os outros pensam que somos.” Jung
Persona é o nome inspirado pelo termo romano para designar a máscara de um ator. É o rosto que usamos para o encontro com o mundo social que nos cerca. É a pessoa que passamos a ser em resultado dos processos de aculturação, educação e adaptação aos nossos meios físico e social.
Jung estava interessado em apurar como as pessoas chegam a desempenhar determinados papéis, a adotar atitudes coletivas convencionais e a representar estereótipos sociais e culturais, em vez de assumirem e viverem sua própria unicidade
Filmes são imagens arquetípicas contemporâneas, isto significa que representam formas, padrões de comportamentos, muitas vezes inconscientes, nos homens de nossa época. Desde os tempos sem princípio, esses padrões se expressam por meio das mais diversas formas de arte, não seria diferente com a chamada sétima arte.
Proponho aqui ampliarmos a visão sobre o filme O Último Samurai à luz da psicologia Junguiana. Como Jung escreveu sobre a dinâmica da alma (ou psique), será necessário um certo nível de abstração e tentativa de visão simbólica. Visto que o que acontece na psique é melhor entendido se comparado a... do que explicado com conceitos.
Numinoso: Conceito do teólogo alemão Rudolf Otto, que designa o inexprimível, misterioso, tremendo, propriedades que possibilitam a experiência imediata do divino.
Para Otto (teólogo, filósofo e erudito em religiões comparadas) o encontro humano com o “sagrado”, como imagem, ritual ou som, só poderia ser descrito com precisão com palavras veementes como Mistério tremendo e fascinante, uma expressão que ele explica meticulosa e profundamente em sua exposição da experiência numinosa.
Entrar na presença do “Sagrado” era pra ele sentir-se estremecido até as bases pelo poder e pela impressionante magnitude do Outro que é confrontado nessa experiência. Para descrever esse estado, ele emprega palavras como “tremor”, “estupor”, “espanto” e “assombro”.
Como estudioso das inúmeras formas de misticismo no mundo, ele também associou essa vivência ao “vazio” dos místicos budistas. Esse momento religioso universal é primariamente uma experiência de sentimento, enquanto a teologia é sobretudo um exercício de pensamento e reflexão.
Intuitivamente sentimos a necessidade de viver uma parte do nosso tempo em um mundo imaginário, de magia, de encantamento, em um mundo que não é racional, dito “real”, a realidade nua e crua. Daí vem as horas que passamos assistindo filmes, séries ou lendo livros de fantasias.
Jung diz que a psique se autorregula ou tende para isso. Essa necessidade de fantasia talvez seja a psique tentando equilibrar-se. Talvez estejamos unilateralizados na consciência, muito racionais…E a fantasia talvez seja a maneira de manter o inconsciente vivo.
Para Jung a fantasia é a atividade espontânea da alma, que sempre irrompe quando a inibição provocada pela consciência diminui ou cessa por completo, como no sono. Durante o sono, a fantasia se manifesta em forma de sonho. Mas mesmo acordados, continuamos sonhando subliminarmente…
(JUNG, C.G. A prática da psicoterapia O.C. 16/1. 16.ed. Petropólis - Editora Vozes, 2013)
A fantasia é o regaço materno onde tudo é gerado e que possibilita o crescimento da vida humana
Considerado um dos maiores clássicos da literatura inglesa e, porque não dizer, da literatura mundial, trata-se, aparentemente, de uma obra sobre paixão, vingança e redenção. Mas proponho aqui aprofundarmos um pouco mais à luz da psicologia analítica (Junguiana) e analisarmos sobre alguns aspectos porque essa é uma obra que retrata bem mais do que uma trágica história de amor e obsessão.
O primeiro ponto é que o motivo desta obra ser tão lida há mais de um século, é porque se trata de uma obra arquetípica, envolve imagem e emoção ao mesmo tempo, exerce um fascínio na psique, esse fascínio nada mais é do que uma autorreflexão, uma reflexão que se volta sobre nossa natureza humana fundamental.
Por isso, a obra-prima é, ao mesmo tempo, objetiva e impessoal, tocando nosso ser mais profundo. Obras arquetípicas geralmente causam estranheza em relação a certas categorias morais e nada falta na escala que vai do incompreensível e sublime até o perverso e grotesco.
A força que anima as estruturas da psique e lhes dá vida, Jung chamou à de libido a energia psíquica. Ela é desejo e emoção, a seiva, o sangue vital da psique.
Era óbvio para Jung que nem todas as expressões de atividade psíquica tem uma original intenção sexual, ainda que possam ter tido outrora tais conexões na história primordial da raça humana. Adotando um ponto de vista evolutivo, Jung especula então sobre o modo como as atividades que tinham sido sexuais em significado e intenção foram transformadas em atividades não-sexuais, como música e a arte.
Os humanos desenvolvem consciência, moralidade e cultura naturalmente, como parte de sua natureza. A cultura é, portanto, natural para a espécie humana. Jung não concebe a natureza e a cultura como diametralmente opostas uma à outra. Pelo contrário, considera que ambas pertencem à natureza humana de um modo fundamental.
Descobri que borboleta em grego tem o mesmo significado de alma ou psique.
Essa dupla significância é um dos motivos pelos quais a borboleta é um símbolo recorrente de imortalidade e da jornada da alma na mitologia grega. A palavra "psiquê" é a raiz da palavra "psicologia" e, na cultura grega, é o termo usado para designar a alma, o espírito, a essência da vida.
Quando descobri isso, lembrei de uma experiência pessoal, na verdade, mais de uma ultimamente, com borboletas-azuis.
Sempre que me sinto em um estado de conexão com a natureza, que para mim é a maior expressão do sagrado, eu vejo uma ou mais borboletas-azuis.
Será que posso chamar isso de sincronicidade? Acho que posso, pois possui um significado especial para mim. É uma espécie de sinal de conexão com a Natureza, Universo, Deus…, o nome não importa tanto, mas sim a energia, na falta de uma palavra melhor que defina, o que, efetivamente, a meu ver, é indefinível ou indescritível. O fato é que as borboletas-azuis aparecem quando sinto que estou conectada a esse “algo” infinitamente maior do que eu.
Marie-Louise von Franz (psicoterapeuta analítica, pesquisadora e escritora) diz que o inconsciente está de alguma forma ligado à matéria, caso contrário, não seria possível perceber as sincronicidades. No entanto, não é possível explicar essa ligação, só é possível percebê-la.
“Uso a palavra individuação para designar o processo através do qual um ser torna-se um, ‘individuum’ psicológico, isto é, uma unidade autônoma e indivisível, uma totalidade.”
“A individuação significa tender a tornar-se um ser realmente individual; na medida em que entendemos por individualidade a forma de nossa unicidade, a mais íntima, nossa unicidade última e irrevogável; trata-se da realização de seu si mesmo, no que tem de mais pessoal e de mais rebelde a toda comparação. Poder-se-ia, pois, traduzir a palavra ‘individuação’ por ‘realização de si mesmo’, ‘realização do si mesmo’. Carl Jung
O todo ou a integridade é o termo-mestre que descreve o objetivo do processo de individuação, e é a expressão, no âmbito da vida psicológica, do arquétipo do si-mesmo.
Aquele que busca individuar-se não tem a mínima pretensão a tornar-se perfeito. Ele visa completar-se, o que é muito diferente. E para completar-se terá de aceitar o fardo de conviver conscientemente com tendências opostas, irreconciliáveis, inerentes à sua natureza, tragam estas as conotações de bem ou de mal, sejam escuras ou claras.
O homem só se torna um ser integrado, tranquilo, fértil e feliz quando (e só então) o seu processo de individuação está realizado, quando consciente e inconsciente aprendem a conviver em paz e completando-se um ao outro.
Mas o que é de fato esse inconsciente?
Na realidade, trata-se apenas de uma moderna expressão para uma experiência interior que nasceu com a humanidade, a experiência que ocorre quando algo estranho e desconhecido toma conta de nós a partir de dentro de nós mesmos; quando sonhamos, temos inspirações e vislumbres que sabemos não terem sido “inventados” por nós, mas que vieram a nós a partir de uma psique “exterior” e abriram seu caminho até a consciência.
Em épocas anteriores, esses efeitos de processos inconscientes eram atribuídos a um fluido divino (mana), a um deus, a um demônio ou a um “espírito”. Essas designações exprimiam o sentimento de uma presença objetiva, estranha e autônoma, bem como de uma sensação de alguma coisa irresistível a que o ego consciente tem de submeter-se.
Essas experiências não são de modo algum raras. No passado, e mesmo hoje, entre pessoas que vivem próximas à natureza, elas se acham entre as ocorrências óbvias. Todo curandeiro primitivo depende de suas visões e seus sonhos; todo caçador conhece impulsos e intuições sobrenaturais; toda pessoa genuinamente religiosa teve, em alguns momentos da vida, essas experiências interiores.
A personagem Rose conta na história o conflito interior em que ela vive, porém, que ela mesma está inconsciente. Ao iniciar contando a história sobre o enorme navio construído até então, para muitos ele era o navio dos sonhos, mas para ela era um navio de escravos, que estava levando-a acorrentada da Irlanda à América.
Rose embarca com o noivo Cal, e a sua mãe, como nos mitos, contos e nos sonhos, onde todos os personagens coadjuvantes são na verdade “aspectos” do protagonista/sonhador. Cal o noivo representa a parte da personalidade de Rose que está adaptada ao mundo exterior, ao mundo das aparências, ao consciente coletivo, como Cal é um grande empresário de sua época é ele quem patrocina a vida extravagante e luxuosa de Rose e da mãe dela. Cal representa também a parte consciente da personalidade que não conhece, não percebe que existe um outro mundo além do mundo dos objetos e das aparências.
Albert Einstein certa vez escreveu: “Uma vida simples trará mais felicidade do que a busca constante do sucesso e o desassossego que vem com ela”.
Mas o que é uma vida simples? Se você quer entender o que Einstein quis dizer, então sugiro que você assista ao filme Dias Perfeitos. Na minha opinião, esse filme ilustra perfeitamente o que Einstein queria expressar com esta frase.
Carl Gustav Jung (Pisquiatra, Psicoterapeuta suiço e fudador da psicologia analítica) descobriu por meio de suas experiências interiores e através das experiências de seus pacientes que a psique consciente se orienta por quatro funções, são elas pensamento, sentimento, intuição e sensação.
Funções são processos perceptivos e decisórios da consciência. É como uma lente com a qual percebemos, avaliamos e tomamos decisões conscientes.
Todos nós temos as quatro funções pelo menos em potencial, mas utilizamos uma mais conscientemente do que as outras, Jung chamou-a de função superior. Há também duas funções auxiliares que usamos digamos parcialmente e uma quarta função que não a utilizamos conscientemente, o que não significa que elas não esteja presente em nossa vida, como veremos a seguir, ela não só está presente como atua inconscientemente. Jung chamou a essa função de função inferior.
Porque só aquilo que realmente somos, tem o poder de nos curar.
Porque é uma necessidade da alma.
Você tem necessidades conscientes e outras não conscientes, esta é uma das necessidades que você ainda pode não ter consciência. Mas sua alma anseia por isso.
O conhecimento mais importante que você veio buscar foi o conhecimento de si, o conhecimento de quem você é para além do corpo e da mente. Conhecer-se profundamente, alcançar a essência de si mesmo.
O filme Alpha se passa num período em que os homens viviam em sociedades primitivas. Mas especificamente conta a história de um rapaz chamado Keda que está experimentando uma transição da fase infantil para a fase adulta.
Para isso precisa passar pelas provas que parecem pertencer a um rito de iniciação, cujo qual os jovens daquela tribo precisam passar para serem aceitos no mundo dos adultos e assim assumirem o papel de homem com todas as responsabilidades que isso acarretava.