O EU INCONSCIENTE.png

Filme: Alpha

 

O filme Alpha se passa num período em que os homens viviam em sociedades primitivas. Mas especificamente conta a história de um rapaz chamado Keda que está experimentando uma transição da fase infantil para a fase adulta. Para isso precisa passar pelas provas que parecem pertencer a um rito de iniciação, cujo qual os jovens daquela tribo precisam passar para serem aceitos no mundo dos adultos e assim assumirem o papel de homem com todas as responsabilidades que isso acarretava.

 

Em uma dessas provas o jovem Keda é levado com os demais homens da tribo para uma caçada extremamente violenta. O seu pai, cujo era o líder da tribo pediu que o rapaz matasse a sangue frio um animal com uma espécie de objeto cortante primitivo, o qual o rapaz se recusou a fazer. No dia seguinte, na caçada mais brutal a uma espécie de manada de touros o rapaz é atacado pelo animal o qual o lança e o faz cair num precipício, sem chances de sobrevivência.

 

 Seu pai desesperado recusa-se aceitar que o filho não sobrevivera ao violento ataque do animal, no entanto, é convencido por um de seus homens que é necessário deixar o filho ir para os ancestrais. Então o rapaz Keda, cujo estado está desmaiado, acorda depois de alguns dias com um urubu pronto para se aproveitar de sua carcaça. O rapaz percebe que está sozinho, e que no lugar onde houve a queda existe pedras simbolizando o seu tumulo.

 

Agora o rapaz Keda terá de fazer o retorno para sua casa, mas antes terá de enfrentar os perigos da jornada, como animais famintos, leopardos, ienas, etc, bem como uma geada forte que encobrirá os rastros e o impedirá de chegar ao seu destino.

O Primeiro perigo se manifesta assim que o rapaz Keda se desespera ao ver o empilhamento das pedras simbolizando sua morte, e percebe uma alcateia vindo em sua direção para atacá-lo e devorá-lo.

 

O rapaz Keda então corre e se defende ao subir uma árvore um dos lobos consegue o agarrar no seu pé o qual se defende e fere o lobo. Depois de longas horas os demais lobos desistem e vão embora, abandonando o tal lobo ferido por Keda.

Keda com o passar dos dias se compadece do lobo e resolve ajudá-lo, então passa a cuidar da ferida do lobo, ao passo que o lobo não pode atacá-lo, ambos vão convivendo, um com desconfiança do outro, vai surgindo uma forma de respeito e amizade entre eles.

 

Essa parte é bastante simbólica, pois representa o homem tentando integrar as forças inconscientes da sua própria natureza, forças essas que são expressas entre outras pelos instintos mais animalescos no interior do homem. Também pode representar as sombras, no sentido em que essa sempre guarda em sua estrutura instintos originais.

 

Keda e o Lobo passam a caçar juntos, ambos vão enfrentando também os perigos juntos como por exemplo um ataque de hienas famintas e um leopardo faminto. Finalmente ambos conseguem chegar ao destino, “o retorno de volta pra casa, pra tribo de Keda”.

O lobo passa a ser parte da tribo e toda a surpresa e inovação que isso traz para aqueles homens rudes e primitivos. (sobre o final não vou dar spoiler).

 

Aqui também há um simbolismo, a medida em que “retorno para casa” significa um “retorno à alma ou ao Eu (a totalidade da psique- Si-mesmo). Demonstrando que o homem precisa integrar as forças instintivas, ou seja, as forças originárias inconscientes (representada pelo lobo), pois elas representam os deuses que ajudam Ulisses chegar à Ítaca.

 

Em última análise, o homem precisa chegar a totalidade do seu eu, precisar unir as partes que outrora foram separadas, consciente e inconsciente. Uma vez que o homem consegue unir essas forças aparentemente contrárias, surge nele algo que trará benefício para ele e para toda sua tribo.

 

A jornada difícil que Keda teve de enfrentar “sozinho” em vários momentos quase o levou de fato a morte, mas também revelou quem ele era e do que era capaz para si mesmo e para sua tribo. Se Keda não tivesse passado pelos perigos da jornada, se nunca tivesse ficado sozinho, talvez nunca descobrisse sua verdadeira identidade, isto é, sua capacidade de liderar diferente do coletivo, sua capacidade de liderar não apenas com a mente e instrumentos arcaicos, mas sobretudo de liderar também com o seu coração, com a sua Alma.