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Os Elos entre a Consciência e o Inconsciente

 

Que outros “eus” nos habitam e não conhecemos?

Quando nos apaixonamos por outra pessoa, essa pessoa representa uma parte nossa que não conhecemos.

 

Somos seres inteiros vivendo uma experiência parcial. Precisamos voltar para a unicidade, voltar a ser um. A nossa outra metade está dentro de nós, mas paradoxalmente, precisamos do outro para nos mostrar. 

 

A Anima e animus são arquétipos auxiliares que servem como intermediários, interfaces no caminho da individuação. São ferramentas ou pontes para o inconsciente.

 

Anima significa alma em latim, e animus significa “espírito”.

 

No entanto, Jung não está aludindo ao significado religioso de alma quando usa o termo anima. Ele traz o termo para a psicologia para significar o lado interno escondido da personalidade de um homem. Da mesma forma, Jung não se refere com o termo animus a algo metafísico e transcendente, mas antes, ao lado interno oculto da personalidade de uma mulher.

 

Jung diz que os homens são masculinos no exterior e femininos no interior, e que as mulheres são o inverso.

A alma (psique) comporta-se complementarmente em relação ao caráter externo (persona). O inconsciente costuma possuir todas as qualidades humanas que faltam na disposição consciente.

 

Se a persona for intelectual, a alma será certamente sentimental. Por exemplo: uma mulher muito feminina terá uma alma masculina e um homem muito viril uma alma feminina. Um homem muito masculino na persona terá que ser igualmente feminino na anima. 

 

Jung diria que a atitude interior mostra as qualidades que são deixadas fora da persona: se uma pessoa é Yang na persona, ele ou ela será Yin na estrutura de anima e animus. Mas a atitude interior, porque está no inconsciente, está menos sob o controle do ego e é menos refinada e diferenciada do que a persona. Assim, é um Yang inferior que se manifesta numa persona individual dominada por Yin, e um Yin inferior que se apresenta em momentos de desatenção de uma consciência dominada por Yang.

 

Jung escreve: “Gostaria de ressaltar que a integração da sombra, isto é, a tomada de consciência do inconsciente pessoal, constitui a primeira etapa do processo analítico, etapa sem a qual é impossível qualquer conhecimento da anima e do animus. Só se pode conhecer a realidade da sombra, em face de um outro, e a do  animus e anima mediante relação com o sexo oposto, porquanto só nessa relação a projeção se torna eficaz.”

 

Jung sempre sustentara que as projeções são criadas pelo inconsciente e não pelo ego. E é nas relações emocionais que se tornam possíveis tais desenvolvimentos da consciência.

 

A anima é a personificação de todas as tendências psicológicas femininas na psique do homem - os humores e sentimentos instáveis, as intuições proféticas, a receptividade ao irracional, a capacidade de amar, a sensibilidade à natureza e, por fim, mas não menos importante, o relacionamento com o inconsciente.

 

“Cada homem sempre carregou dentro de si a imagem da mulher; não é a imagem desta ou daquela mulher, mas uma imagem feminina definitiva”. Escreveu Jung em 1925 num ensaio sobre o casamento intitulado: O casamento como relacionamento psíquico.

 

Mas qual a significação, em termos práticos, do papel da anima como guia para o mundo interior ? Essa função positiva ocorre quando o homem leva a sério os sentimentos, os humores, as expectativas e as fantasias transmitidas por sua anima e quando ele os concretiza de alguma forma, por exemplo na literatura, pintura, escultura, música ou dança. Quando trabalha calma e demoradamente todas essas sugestões, outros materiais ainda mais profundos surgem do seu inconsciente…

 

Apenas a decisão dolorosa, mas essencialmente simples, de levar a sério os nossos sentimentos e fantasias pode, nesse estágio, evitar uma completa estagnação do processo de individuação, pois só assim o homem pode descobrir o que significa essa figura como realidade interior. Nesse processo, a anima volta ao que era inicialmente - “ a mulher no interior do homem”, transmitindo-lhe as mensagens vitais do self.

 

Já o animus em sua primeira forma inconsciente, se manifesta na mulher de forma intensa, por meio de opiniões sólidas e convicções irrefletidas. Uma masculinidade inconsciente existente no psiquismo da mulher.

 

O lado positivo do animus pode personificar um espírito de iniciativa, coragem, honestidade e, na sua forma mais elevada, de grande profundidade espiritual. Por meio do animus a mulher pode tornar-se consciente dos processos básicos da sua posição objetiva, tanto cultural quanto pessoal, e encontrar, assim,  o seu caminho  para uma atitude intensamente espiritual em relação à vida. Isso naturalmente pressupõe que seu animus já tenha cessado de emitir opiniões absolutas, ou seja, já não se manifeste mais na forma inconsciente. Só então é que as manifestações do self chegarão à mulher e a farão compreender conscientemente o seu sentido.

 

É claro que este tema é muito mais amplo e profundo do que o que foi abordado aqui neste texto. Se você se interessa por compreender mais a respeito, deixo aqui alguns livros que podem servir para estudos iniciais sobre este tema. 

 

Boas leituras e boas reflexões!

 

Referências:

 

JUNG, Emma. Animus e Anima Uma introdução à Psicologia Analítica sobre os Arquétipos do Masculino e Feminino Inconscientes. 2.ed. São Paulo - Cultrix, 2020.

SILVEIRA, Nise da. Jung Vida e Obra. 1.ed. Rio de Janeiro - Paz & Terra, 2023.