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Cada um deve explorar seu próprio inconsciente (1).jpg

Inconsciente: O Desconhecido Mundo Interior

Pode-se representar a psique como um vasto oceano (inconsciente) no qual emerge uma pequena ilha, o consciente. Em outras palavras, consciência é o que conhecemos e inconsciente é tudo aquilo que ignoramos.

 

A consciência é, muito simplesmente, o estado de conhecimento e entendimento de eventos externos e internos. É o estar desperto e atento, observando e registrando o que acontece no mundo em torno e dentro de cada um de nós.

 

O inconsciente inclui todos os conteúdos psíquicos que se encontram fora da consciência, por qualquer razão ou qualquer duração. A psique engloba o consciente e o inconsciente.

 

Os conteúdos do inconsciente são constituídos por memórias recalcadas e por “material”, como pensamentos, imagens e emoções, que nunca foram conscientes ou só parcialmente conscientes. O mais apaixonado interesse de Carl Gustav Jung (psiquiatra e psicoterapeuta suíço, fundador da psicologia analítica) estava na exploração desse território.

 

“Teoricamente é impossível fixar limites no campo da consciência, uma vez que ela pode estender-se indefinidamente. Na prática, porém, ela sempre atinge seus limites ao atingir o desconhecido. O desconhecido é constituído por tudo aquilo que ignoramos”. (JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos, Reflexões. 35.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.)

 

“Tudo o que conheço mas não penso num dado momento, tudo aquilo que já tive consciência mas esqueci, tudo o que foi percebido por meus sentidos e meu espírito consciente não registou, tudo o que involuntariamente e sem prestar atenção (isto é, inconscientemente), sinto, penso, relembro, desejo e faço, todo o futuro que prepara em mim e que só mais tarde se tornará consciente, tudo isso é conteúdo do inconsciente. (JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos, Reflexões. 35.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.)

 

O inconsciente está dividido em inconsciente pessoal, o qual contém os complexos, e o inconsciente coletivo, que aloja as imagens arquetípicas ou arquétipos e os grupos de instintos.

 

Inconsciente Pessoal

 

Refere-se às camadas mais superficiais do inconsciente, cujas fronteiras com o consciente são bastante imprecisas. Aí estão incluídas as percepções e impressões subliminares dotadas de carga energética insuficiente para atingir o consciente; traços de acontecimentos ocorridos durante o curso da vida e perdidos pela memória consciente; recordações penosas de serem relembradas; e , sobretudo grupos de representações carregadas de forte potencial afetivo, incompatíveis com a atitude consciente (que são os complexos). Enfim, o inconsciente pessoal está “povoado” com qualidades que nos são inerentes, porém que nos desagradam e que ocultamos de nós mesmos, nosso lado negativo e escuro por assim dizer. 

 

Inconsciente Coletivo

 

Jung diz em seu livro Memórias Sonhos e Reflexões: 

 

“…Mas além disso encontramos também no inconsciente propriedades que não foram adquiridas individualmente; foram herdadas, assim como os instintos e impulsos que levam à execução de ações comandadas por uma necessidade, mas não por uma motivação consciente… (nesta camada mais ‘profunda’ da psique, encontramos os arquétipos.) Os instintos e os arquétipos constituem, juntos, o inconsciente coletivo. Eu o chamo coletivo porque, ao contrário do inconsciente pessoal, não é constituído de conteúdos individuais, mais ou menos únicos e que não se repetem, mas de de conteúdos que são universais e aparecem regularmente.”

 

O inconsciente coletivo corresponde portanto às camadas mais profundas do inconsciente, aos fundamentos estruturais da psique comuns à todas as pessoas.

 

“Do mesmo modo que o corpo humano apresenta uma anatomia comum, sempre a mesma, apesar de todas as diferenças raciais, assim também a psique possui um substrato comum. Chamarei este substrato de inconsciente coletivo. Na qualidade de herança comum transcende todas as diferenças de cultura e de atitude conscientes, e não consiste meramente em conteúdos capazes de se tornarem conscientes, mas em disposições latentes para reações idênticas. Assim o inconsciente coletivo é simplesmente a expressão psíquica da identidade da estrutura cerebral, independente de todas as diferenças raciais.”(JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos. 2.ed. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2016.)

 

“Os conteúdos do inconsciente pessoal são parte integrante da personalidade individual e poderia, pois, ser conscientes. Os conteúdos do inconsciente coletivo constituem como que uma condição ou base da psique em si mesma, condição onipresente, imutável, idêntica a si própria em toda parte.”(JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos, Reflexões. 35.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.)

 

Portanto, enquanto o inconsciente pessoal é composto de conteúdos cuja existência decorre de experiências individuais, os conteúdos que constituem o inconsciente coletivo são impessoais, comuns a todas as pessoas e transmitem-se por hereditariedade.

 

No âmago do inconsciente coletivo, Jung descobriu um centro ordenador - o self (si mesmo). Desse centro emana uma inesgotável fonte de energia. Se você quer aprofundar este mergulho no inconsciente, estes livros podem ajudá-lo nos estudos iniciais sobre este tema.


 

Referências:

 

STEIN, Murray. Jung: O mapa da alma 1.ed. São Paulo: Cultrix, 2000.

 

JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos. 2.ed. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2016.

 

SILVEIRA, Nise da. Jung Vida e Obra. 1.ed. Rio de Janeiro - Paz & Terra, 2023.

 

JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos, Reflexões. 35.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.

 

Existe uma necessidade, inata de todos os seres humanos, de entendermos quem somos e o propósito de estarmos aqui. Pensar sobre isso, depende do momento de vida de cada um, o fato é que estas ques.jpg